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A terceirização vai matar a TI?
Preston Gralla
22 de junho de 2010
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Mesmo as empresas que não optam por serviços na nuvem precisam de estruturas cada vez menores, o que representa um risco para os profissionais da área de tecnologia.
Muitos fornecedores de TI anunciaram milhares de demissões nos últimos anos. Se a situação parece terrível para os profissionais do setor, o analista da consultoria Forrester Research James Staten acredita que as coisas tendem a piorar, por conta de um enxugamento das equipes.
Boa parte desse movimento tem sido provocado pela disseminação do conceito de outsourcing e, em especial, ao modelo de cloud computing (computação em nuvem). Afinal, quando têm uma opção, as empresas tendem a preferir pela contratação do ambiente de TI como serviço, em vez de investir em cabos, gabinetes, sistemas, equipamentos e os custos de manutenção e atualização.
Para as pequenas empresas, os serviços terceirizados valem muito mais a pena do que o salário e os custos de manter uma equipe própria de TI. Já as grandes organizações devem enfrentar ainda um período de testes e de planejamento antes de tomar decisões radicais. E, entre as companhias que nasceu agora no mercado, o caminho é um só: cloud computing.
Uma radiografia da TI aponta ainda para outros perigos. Mesmo as empresas que não optam por serviços na nuvem precisam de estruturas cada vez menores. Servidores virtuais e racks possibilitam às organizações consolidar data centers, o que demanda por cada vez menos pessoas. Junto com esses fatores vêm as ferramentas de gerenciamento que impulsionam a produtividade e permitem às companhias fazerem mais com menos.
Isso não quer dizer que a TI vai deixar de existir. Mas ela terá, sim, de repensar seu papel e se preparar para mudanças no mercado. Os profissionais do setor têm duas escolhas: adaptar-se ou morrer.
Nesse novo ambiente a tecnologia da informação terá a missão de garantir o funcionamento eficiente dos negócios, em vez de apenas manter hardwares e softwares funcionando. Com isso, o CEO e sua equipe terão de sair da sala na qual ficam em meios a cabos e placas para assumir um papel de unir as demandas da organização com o vasto elenco de soluções tecnológicas disponíveis no mercado - mesmo que a implementação fique a cargo de outra área.
Para os profissionais de TI, o tino comercial e a sensibilidade serão tão ou mais importantes do que os conhecimentos tecnológicos.
O CEO da companhia californiana Sanmina-SCI, Manesh Patel, resumiu bem a questão: “TI virou serviço. A tarefa é providenciar recursos de alto valor agregado e esquecer a manutenção interna de estrutura de rede e afins”.
Preston Gralla é colaborador do site Computerworld.com e autor de mais de 25 livros, incluindo o título "How the Internet Works", de 2006.